sábado, 28 de fevereiro de 2009
O DL recomenda: Museu José Malhoa
Bravo!
O DL recomenda: Museu de História Natural

Encontrarão mais informações no sítio do Museu de História Natural. Não esquecer os Museus ali alojados e o Jardim Botânico, a não falhar na visita (como não falhei). Quando por lá estiver, entre vegetação exótica, verdes recantos... não se esqueça onde verdadeiramente está - em plena cidade!
É património que merece o melhor apoio - o do público.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Restelo
Torre de Belém... ou Baluarte do ResteloQual é a origem do nome? E afinal, o que é o Restelo? Será descabida esta última questão?
Desde há várias décadas que o Restelo é reconhecido – pelo menos aos olhos do cidadão “comum” – como sendo a zona a Norte e Oeste de Belém, ocupada maioritariamente por vivendas e condomínios, e por isso tida como “nobre” ou de “luxo” (actual ou datado). O Estádio do meu Belenenses, baptizado “do Restelo”, acaba por demarcar o extremo a sudoeste dessa zona. Abaixo e para nascente, seguindo a Rua de Belém, ninguém duvida que está Belém, frente ao Tejo, sobre antiga praia.
No fundo, a criação da Freguesia de São Francisco Xavier veio dar mais algum sentido a esta separação.
No entanto, se olharmos para a história – para a origem – nem tudo é assim tão claro. Que o nome de Belém se deve à invocação de Santa Maria de Belém, no e pelo Mosteiro dos Jerónimos, bem como pelo templo Henriquino que o precedeu, é facto que não merece muitas dúvidas. Mas, que a própria zona do actual Mosteiro, frente ao rio, era conhecida como “praia do Restelo”, também é facto, também antigo e bem documentado (entre outros, pelo grande Fernão Lopes).
Temos então que, se o Restelo e Belém não são afinal a mesma coisa, pelo menos Belém acabou por ser uma parte do Restelo que ganhou nome e fama próprios.
Se atendermos à hipótese mais conhecida e consensual quanto à origem daquela toponímia, faz-se um pouco mais de luz sobre esta “transição”.
Em página da Paróquia de Santa Maria de Belém podemos ler que:
“Em meados do século XV, o Infante D. Henrique mandou ampliar uma pequena ermida que tinha sido fundada, na zona do Restelo, junto ao Tejo, sob a invocação de Nossa Senhora da Estrela, protectora dos navegantes. Enriquecendo o sentido da primeira invocação, o Infante dedicou a nova Igreja a Santa Maria de Belém.”
Assim se entende a ligação com a história da Natividade de Jesus Cristo, por intermédio da Estrela, a dos Reis Magos, mas também de Maria, mãe de Jesus, ela própria Estrela dos Mares, guia e protectora dos navegantes. Estes nomes e símbolos têm sido objecto de interpretação de várias correntes e “ciências”, ditas da “mística”, do “oculto”, na convicção de que escondem significados só acessíveis a uns. Sendo de interesse, são áreas do conhecimento que não domino minimamente – sobre as quais não posso elaborar muito, portanto.
Mas, no site da Agência Ecclesia, da Igreja Católica Portuguesa, encontramos mais elementos de interesse para a nossa questão:
“O nome deste lugar [Restelo], um povoado modesto mas estrategicamente vocacionado para (ante)porto de Lisboa, confunde-se com o desse primitivo santuário dedicado a Nossa Senhora da Estrela.
A interpretação mística é directa: Nossa Senhora era a luz para os navegantes que desejavam entrar sem perigo na barra de Lisboa; a Estrela evocava o misterioso astro que conduziu os Magos. E quando o Infante D. Henrique mandou edificar no Restelo essa igreja dedicada a Nossa Senhora de Belém, não foi o local do nascimento de Cristo que quis evocar – o presépio aonde acorreram os pastores e os anjos deram glória a Deus – mas antes o ponto de encontro das gentes com Cristo, Sacerdote, Profeta e Rei, para o qual se dirigiram aquelas três personagens míticas e ofereceram ouro, incenso e mirra.”
Esquecendo propositadamente as outras questões, encontramos agora e finalmente uma justificação, geralmente aceite, para o nome “Restelo”: surgiu por corrupção de Estrela (ou de “SenhoRa-Estrela”). Bem próxima anda outra hipótese, muito semelhante (por conotações marinheiras mas também espirituais), pela qual a origem se deve à palavra “Setestrelo”, que se refere à constelação da Ursa Maior, muito importante para quem queira encontrar a Estrela do Norte, guia dos navegantes (isto no Hemisfério Norte, obviamente).
Ninguém ou mesmo nada sou para pôr em causa aquela primeira hipótese (“Senhora da Estrela”), que é em quase todos os seus aspectos bem plausível e “encaixa” perfeitamente numa miríade de sentidos, mais claros ou mais obscuros. No entanto, creio que encontrei (ou redescobri?) uma alternativa, no mínimo, muito interessante.
A alternativa em questão pouco ou nada remete para o religioso ou espiritual, nem tão-pouco para as obras régias. Fica bem, isso sim, ao lado de uma Junqueira ou de Pedrouços, topónimos de fácil e óbvia interpretação. Por outro lado, a suposição de corrupção de uma outra palavra, ainda que possa ser também antiga (embora não tanto como a lenda de Ulisses em Lisboa), é algo que merece algumas reservas, sobretudo tratando-se de nomenclatura religiosa (será assim tão aceitável, passar de “Senhora da Estrela” para “Restelo”?).
Porque se dizia e escrevia “Rastelo” ou “Rastello”, palavra essa que tinha (e tem) outro significado em português… e que sobrevive, precisamente, na palavra “restelo”?
Vejamos o que nos diz este texto, sobre os famosos “12 trabalhos” do linho (Museu da Agricultura de Fermentões):
“(…) [sobre o acto de] assedar: depois de limpas as impurezas as fibras são separadas por cumprimentos e espessuras. As mais longas e finas formam o linho, as mais curtas e grosseiras, a estopa. Para isso usam-se os sedeiros, instrumentos com dentes de aço finos e serrados, nos quais se passam as estrigas de linho. A estopa que fica, antes de ser fiada tem que se submeter a outra operação. Em manadas a estopa é passada no restelo, uma espécie de pente largo de madeira com dentes de aço grandes e pontiagudos. Depois de ‘penteada’ a estopa está pronta a ser fiada.”
E agora, o que nos diz o dicionário Priberam:
Restelo: rastelo; azeitonas caídas no chão antes de varejadas, ou espalhadas por descuido dos ranchos [possível mas improvável, no nosso caso].
Rastelo: fieira de dentes de ferro por onde se passa o linho para se lhe tirar a estopa; grade com dentes de pau, para aplanar a terra lavrada;
Da mesma maneira existem os verbos “restelar” ou “rastelar”, cujo acto por sua vez dá origem ao substantivo “restelo” ou “rastelo”.
Note-se que, no Brasil, a palavra “restelo” surge muitas vezes associada ao significado acima referido para “rastelo”, como utensílio agrícola ou de jardinagem. Aliás, não é invulgar que o camoniano “Velho do Restelo” passe, ainda que só por sugestão… por jardineiro.
Ainda na área do português, ou melhor, do galego-português, encontramos também matéria interessante. Os significados que encontramos no português, relativos ao trabalho do linho, encontramo-los também no galego actual, em palavras semelhantes: “rastrelo” ou “restrelo”. Variações que, curiosa e precisamente, também chegaram a ser utilizadas pelos cronistas portugueses para designar o “nosso” Restelo.
Mas há mais ainda, falando da Galiza: também lá, na zona de Finisterra, há uma praia do Restrelo!
Ora, tendo o mesmo significado, não será a origem a mesma, ligada ao trabalho do linho?
Ou será a origem a mesma, mas a outra, se atendermos ao Campus Stellae (de Compostela)?
A segunda hipótese parece-me claramente arriscada, embora sedutora, sobretudo se enveredarmos pela descoberta de subtis e complexos significados (como os que se escondem nos mais elaborados traços dos Jerónimos, ao que parece).
Quanto à primeira hipótese, fica por explicar um aspecto essencial. Se o nome daquelas praias se deve ao linho… como e porquê?
É uma conjectura, mas com pistas promissoras: quer na região da Galiza em causa, quer no “nosso” Restelo, a plantação e tratamento do linho eram de facto actividades comuns, favorecidas pela proximidade de grandes massas de água (a humidade, ao que vim a saber, é factor importantíssimo). Para além disso, ainda hoje podemos encontrar, entre a Rua de Belém e a Rua Vieira Portuense, uma “Travessa das Linheiras” (fiel à tradição local de associar a toponímia a ofícios e indústrias – Travessa dos Ferreiros, Travessa das Galinheiras…)!
Considerando ainda que aquelas casas e ruas são, na sua grande maioria, quinhentistas, temos assim uma referência bem antiga, que por sua vez poderá remeter para épocas mais remotas (lembro por exemplo a popularidade do linho entre os árabes, bem como, por altura da sua ocupação, o facto de o Restelo ter sido uma zona eminentemente rural e agrícola).
E estariam então ali as linheiras, à vista da praia, a separar a estopa do linho… ocupadas com o seu “restelo”? E como poderiam não sabê-lo príncipes, clérigos e cronistas? Poderiam muito bem, penso eu, na mesma medida em que o próprio povo esqueceu e esquece a(s) origem(s).
Fontes:
Priberam
Paróquia de Santa Maria de Belém
Agência Ecclesia
Museu Agrícola de Fermentões
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Maravilha sobre Alcântara

Quando foi erguido, não faltaram vozes críticas... em particular quanto o seu estilo, considerado como demasiado retrógrado para a época (o que, em boa medida, até era verdade, se só de estilo se tratasse). Com o passar dos anos, porém, a antiguidade assumiu o seu posto e este monumento é hoje um dos símbolos de Lisboa.
Recorde-se que aquela imponente obra de engenharia, com o maior arco em pedra do mundo... e embora assentando sobre a falha sísmica do Vale de Alcântara... resistiu ao Terramoto de 1755!
Também não se pode esquecer que o "aqueduto" é muito mais que a arcaria de Alcântara, numa discreta mas extensíssima rede que sobrevive, malgrado algumas mutilações e o sufoco da construção. Para os mais familiarizados, será passatempo curioso seguir o seu percurso através do Google Earth:

Nota: A primeira fotografia encontra-se no Arquivo Municipal de Lisboa. Data das primeias décadas do Século XX, como se pode comprovar pela inexistência da floresta de Monsanto, bem como do bairro da Serafina.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Obras em curso
Muito Obrigado pelas visitas
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
O que se ouve na TV
Espanhola?
Vamos lá a ver, não tenho qualquer fobia e considero que, se há povo parecido com o nosso, é o espanhol... logo a seguir aos romanos (ah, Roma...).
Mas aí está. Se são parecidos, não haverá por aí qualquer instituição "tuga" que possa dar o seu crédito à coisa?
Ou se é para dar mesmo crédito, à séria, não prefeririam a chancela de uma Sociedade Alemã de Pediatria, de uma "British Association" ou coisa do género? As ditas fralditas, em vez de de meros contentores dos descuidos natais, até passariam a ser algo que "dá saúde e faz crescer".
Bem sei que para certas marcas e certas empresas fazer publicidade em Portugal por estes dias passa por traduzir anúncios de "nuestros hermanos". Mas deixem lá estar as associações deles. Já bastam as calinadas nas traduções e senhores cuja boca não se vê falar o que se lhe ouve.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
A Guerra Colonial
Como é habitual naquele programa, a bem das audiências, perde-se demasiado tempo com intervenções "bombásticas", normalmente muito pouco rigorosas e muito parciais. Velhos "ajustes de contas" entre partidários de ideologias obsoletas.
No entanto, também houve algo que valesse a pena (e que "pena" por vezes foi). Embora dificilmente se possa dizer que qualquer um dos intervenientes fosse o mais objectivo ou o mais politicamente neutral (em favor de um maior rigor histórico, quero dizer), confesso que fiquei agradavelmente surpreendido com os contributos do Coronel Matos Gomes. Surpreendido, obviamente, porque nunca li obra sua nem me recordo de alguma vez o ter ouvido.
Mas para um interessado pela História, como eu, foi de facto um prazer imenso ouvir quem tanto sabe sobre o assunto em questão, tanto como eu julgava não ser possível.
Foi, sem dúvida, o melhor do programa.
Debruçando-me agora sobre o assunto em debate, creio que muito terá ficado por dizer. Sobretudo para esclarecimento dos mais jovens (o mesmo é dizer, em termos de lições para o futuro). Infelizmente, como já referi, sobressaíram velhos ódios e rancores que as sucessivas gerações obstinadamente inculcam nas gerações seguintes, ansiando talvez por vinganças definitivas, desejando quebrar para sempre os ciclos da História pela força, como se tal fosse possível, muito menos desejável.
A minha opinião pessoal é fundada o mais possível nos factos históricos mas também temperada pelo enorme privilégio de conhecer ou ter conhecido - sendo familiar ou amigo - pessoas que viveram o período em causa de maneiras diferentes. Pessoas com convicções diferentes e sortes diversas, que muito estimo ou estimava (muitos já faleceram, infelizmente).
Que penso eu da Guerra Colonial? Ou, mais amplamente, da tentativa de estabelecimento de um império colonial - territorial, entenda-se - em meados do século passado? Simplesmente, foi um erro tremendo. Simplesmente, prejudicou milhões de pessoas e, mais importante para nós, portugueses, o futuro do nosso País durante décadas.
Dito aquilo, convém esclarecer alguns aspectos (que raiam as ideologias, mas vou tentar manter a distância). Ao considerar um erro, faço-o porque penso que, mesmo vivendo sob um regime fascista ou ditatorial (independentemente agora se era mau ou bom, brando ou radical), o nosso País poderia ter seguido outro rumo. Não por ser ou estar de um lado (neste caso, da "esquerda").
Não só isso como posso enumerar boas opções e excelentes obras que o regime de Salazar realizou, sobretudo nas primeiras décadas de existência. Com efeito, quando olho para as décadas de 30 e 40 do século passado, torna-se difícil compreender, por exemplo, como a Espanha conseguiu ganhar-nos tanto avanço (mais significativo nas últimas décadas, é certo - afinal de contas também estiveram na "cauda" da Europa). Enquanto no País vizinho travava-se uma guerra civil cruenta e devastadora, o governo português empenhou-se seriamente no desenvolvimento do País, nomeadamente com a construção de inúmeras infra-estruturas servindo fins diversos, de inquestionável utilidade social.
Tudo isso realça ainda mais o erro, porque foi sem dúvida uma inflexão clara e desastrosa. A partir de certo momento, abrandou ou cessou a construção de escolas, hospitais, estradas ou barragens, em território nacional - inquestionavelmente o nosso território "europeu" e as ilhas atlânticas por nós povoadas. Com flagrante impacto no Interior e na Madeira e Açores, o tempo voltou a parar, pura e simplesmente.
Que foi feito então aos que habitavam essas regiões? Os que puderam emigrar para outros países da Europa ou para a América, fizeram-no. Nos anos 50 teve lugar o maior êxodo da nossa História. Mais de 1 Milhão e meio de portugueses (e bem portugueses!) foram ajudar a enriquecer países terceiros com a sua tenacidade e afinco no trabalho. É justo dizer: que desperdício para Portugal! (e não fossem as remessas...).
Aos restantes, os que ficaram, foi então prometido um futuro de abundância em territórios longínquos, dispersos por este mundo, cujo conhecimento - o necessário e adequado para tal empresa - era ainda deveras deficiente.
Como se não bastasse, todos esses territórios eram habitados (nalguns casos, ao que parece, desde o início da Humanidade) por milhões de autóctones (é verdade, eram milhões), "naturalizados" portugueses não havia muito e, concerteza, com as suas expectativas e anseios relativamente aos seus novos governantes.
É verdade que a realidade era diversa, de território para território, mas sobretudo entre as faixas litorais (com contacto há muito mais tempo - séculos, nalguns casos) e o interior. No entanto, fazendo as contas à vastidão reconhecida e "conquistada" em meados do século passado, não deixava de ser uma realidade nova e perigosa, deixando-nos em verdadeira igualdade de "vantagens" (políticas ou culturais) com qualquer outro país europeu.
Os resultados de tal risco poderiam ser imprevisíveis. Mas o mais trágico é que nem imprevisíveis foram, precisamente porque países com uma capacidade económica e militar muitíssimo e inquestionavelmente superiores à nossa estavam, na mesma altura em que "colonizávamos" em força, a retirar. E a retirar, nalguns casos, após guerras sangrentas e exaustantes, ainda sem a intervenção tão activa que as potências da "Guerra Fria" vieram a ter na nossa guerra colonial - o que obviamente complicou o nosso "caso" e de que maneira.
Ora, mesmo sem apelar a conhecimentos de índole militar (que não os tenho), o que a História nos diz, hoje, é que tudo ou quase tudo se estaria a compôr para um desastre sem igual desde, talvez, Alcácer-Quibir.
[Claro que haverá quem, lembrando Alcácer-Quibir, afinal encontre nesta comparação a justificação de uma coisa boa (um grande acto de bravura ou coisa do género). Não peço para que me expliquem porque terá sido Alcácer-Quibir uma coisa acertada (????), mas ao menos porque não havia coisa mais acertada para fazer...]
Dito aquilo, não esgota porém tudo o que se pode e deve dizer sobre as acções militares ou, mais concretamente, sobre o patriotismo e a valia dos que responderam à chamada. Aliás, até digo, com a bravura demonstrada, dificilmente teríamos perdido a guerra em termos militares, tivesse ela continuado. Nisto concordo com quem não concordo em quase nada.
O problema é que o nosso patriotismo padeceu do que padeceu a Pátria, obviamente. De nação europeia com uma história grandiosa (que éramos e somos) quis-se o estabelecimento de um império à escala mundial, em distâncias tão longínquas, territórios tão diversos, sobre povos tão diversos...
Acaso não sabíamos, mesmo os que viveram (e nasceram) nas colónias, que a Pátria afinal era e é "aqui" e não "lá"?
Mas, se dificilmente teríamos perdido, é-me igualmente óbvio que, após 13 anos de guerra e salvo nalgum ou noutro local, dificilmente ganharíamos a guerra. Os factos da História encarregaram-se de demonstrar, infelizmente, que a guerra perdurou, sobretudo em Angola e Moçambique, durante quase mais 30 anos!
Não digo que, caso prosseguíssemos em guerra, levássemos esses 30 anos entre as balas e minas do MPLA, da UNITA, da RENAMO, da FRELIMO, etc. Mas sem dúvida teria morrido muito mais gente e, muito mais importante, a "saída" não deixava de ser uma: o fim da guerra por via diplomática.
Esse era o fim inevitável de um tremendo erro.
Quanto ao como acabou e tudo o mais, é outra história (outros erros, infelizmente).
Já aqui o referi, mais de 1 Milhão e meio de portugueses emigrados, mais meio milhão de portugueses que, aliciados pelas ilusões de uns, tiveram de deixar as suas vidas que construíram em África. Mais de 8 a 9 mil mortos entre militares do lado português e desconhecidos milhares entre civis (incluindo portugueses) e militares das outras facções em contenda (não sei a quem agradam mortes que se podem e devem evitar!). Milhares de ex-combatentes que foram arrancados das suas terras, sobretudo das regiões que já referi (onde os esperava a emigração ou a pobreza), que ainda hoje sofrem as consequências.
E não posso também de referir o aspecto económico, igualmente desastroso, como é fácil de concluir. E aqui relembro de novo a Espanha, que se desenvolveu sem "Ultramar", desenvolvendo a Catalunha, o País Basco, etc. E se o dinheiro de Cahora-Bassa, de escolas, hospitais, fábricas, igrejas, investido no "Ultramar", tivesse sido investido em Portugal - no verdadeiro Portugal?
Será que muitas pessoas fazem idéia do como eram certas regiões do País há 40 anos? (como eu vi, por exemplo, a Madeira de então!) Se ainda hoje algumas vivem com dificuldades, imaginem então...
[Quem queira entender, basta olhar para os números. Compare, a taxa de analfabetismo, a esperança média de vida, o número de escolas, de hospitais e postos de saúde, de universidades, de automóveis, televisões e frigoríficos por habitante, o PIB per capita, etc.]
terça-feira, 21 de agosto de 2007
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Como isto anda...
Ontem li um artigo sobre carros a hidrogénio e, mesmo que tivesse alguma imprecisão (parece tudo bom demais), fechei os olhos e sonhei.
Sem o ruído dos motores, água pura a pingar dos escapes...
sábado, 21 de julho de 2007
Ainda sobre as eleições...
Em suma, mais de 72% ou não quiseram saber das eleições ou dos partidos.
Não será isto revelador? Ou preocupante?
Os 62% será porque não importa e é deixar andar ou é porque não há esperança?
quinta-feira, 19 de julho de 2007
António Costa é o novo Presidente da Câmara
Agora vamos ver como e com que celeridade se começam a resolver os problemas de Lisboa.
Dito isto, penso no que vi em mais umas férias na minha segunda terra, mas disso já vos conto, nos próximos dias.
terça-feira, 26 de junho de 2007
Berardo
Sócios de clubes da Primeira Liga?!?!? Esta última benesse deixou-me a pensar, se não estará relacionada com alguma outra batalha do "wanna-be Gulbenkian" de Santa Luzia. Ele está em todo o lado, até diz que quer criar um Banco do Benfica... quando é assim, pode tudo. Até aparecer neste blogue, não tinha eu como resistir.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
O homem que inventou o "Multibanco"
É o caso deste artigo, que nos fala do senhor que inventou as caixas "Multibanco", em 1967. Ficamos também a saber que o PIN tem quatro dígitos porque a esposa do senhor disse que era melhor assim, à conversa na cozinha. Tudo "very British", no sentido mais simpático possível:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/business/6230194.stm
segunda-feira, 11 de junho de 2007
A Feira do Livro
Não falhei com uma visita, embora fugaz, pois foi num Sábado de tórrida soleira e só a "juventude" lá de casa teve direito a livros novos, o que já não é mau (ou por outra, é muito importante).
No entanto e pelo que ouvi (nomeadamente, na televisão) a Feira de 2007 parece que foi bastante boa para os editores e livreiros. Em vez das habituais queixas, quase automáticas, ouvi palavras de optimismo e de agrado.
E o Site Oficial da Feira (que por sinal está bastante bom) confirma:
Uma das maiores Feiras de sempre
A 77ª Edição da Feira do Livro de Lisboa
encerrou no Domingo, dia 10 de Junho, com um balanço francamente positivo.
De acordo com os participantes na edição deste ano foi visível um
aumento significativo no número de visitantes e no volume de vendas. De uma
forma geral o volume de vendas aumentou cerca de 20% e em alguns casos atingiu
mesmo os 40%. Passaram pela Feira milhares de autores, para sessões de
autógrafos, entre eles: José Saramago, António Lobo Antunes, Lídia Jorge,
Batista Bastos, Moita Flores, José Luís Peixoto, Galopim de Carvalho ou
Margarida Rebelo Pinto.
A grande festa do livro reuniu, assim, autores,
editores e leitores, e deixou bem clara a sua importância no contexto da
dinâmica cultural da cidade. A comprovar esse facto registe-se ainda a
importância dada ao evento pelos candidatos às próximas eleições camarárias, que
responderam positivamente ao convite dirigido pela APEL, Associação Portuguesa
de Editores e Livreiros e compareceram no Parque Eduardo VII, para visitar a
Feira e reunir com a organização.
Independentemente da qualidade do que mais se vende (sobretudo dos "best-sellers") parece-me que quase todos os géneros têm procura. E a Internet, em vez de substituir, tem estimulado ainda mais a curiosidade pelos livros (já quanto à imprensa "escrita" não se pode dizer o mesmo).
Já agora, uma sugestão. Uma vez que os pavilhões até estão mais "juntinhos", porque não improvisar uns telheiros/coberturas. Em dias de sol intenso há muitos que desistem não por preferirem a praia, mas porque caminhar acima e abaixo no Parque torna-se insuportável. E em dias de chuva...
Mas que a Feira fique no Parque, que está muito bem...
Está de parabéns António Baptista Lopes, actual presidente da APEL (que tem outra grande virtude, a de ser meu consócio).
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Toca a assinar
http://www.petitiononline.com/CFB1919/petition.html
domingo, 3 de junho de 2007
Estava a adivinhar
Parece que o Belenenses está há um ano à espera de uma licença sem a qual não poderá utilizar o Restelo para as competições europeias da próxima época e, para piorar a coisa, a alternativa é Alvalade (será que se Sporting ou Benfica não pudessem usar os seus estádios jogariam no estádio do vizinho de 2ª circular?).
Quer-me parecer que o meu clube, para não variar, foi demasiado sereno e demasiado "correcto" com a questão. Haverá muita coisa empatada com este sarilho na Câmara, mas não acredito que seja tudo.
quinta-feira, 31 de maio de 2007
Vespeiros
A primeira diz respeito a Lisboa: as eleições fora de tempo (muito literalmente falando), qual pau em vespeiro que lá fez saltar os bicharocos, a esvoaçar, agressivos e ao magote. Avançam os clubes do costume, perdão, os partidos, mais uns independentes ex-não-tão-independentes-como-isso.
Os que esperam ganhar prometem o que há a prometer, os que pretendem só um ou dois lugarzinhos prometem ser pedra no sapato, mesmo quando fizer falta que o pé ande confortável.
Muito preocupante é a situação das finanças, como todos sabem, mas sinceramente não vejo grandes melhorias para breve. Toda esta conversa faz-me lembrar os clubes de futebol (até porque loucas despesas com certos clubes também fazem parte do rol camarário).
Por falar nisso, passo à "silly-season" do futebol, outro circo que acaba de começar (este sim, no tempo habitual). É incrível o quanto se escreve nos diários desportivos sobre saídas e contratações. Não é preciso muita atenção para perceber que 90% do volume de rumores não passa disso mesmo, um volume de rumores. Ou "como vender jornais desportivos quando não há jogos" - é dar "palha".
Funcionasse assim a Bolsa de Valores e haveria muito mais gente rica. E muito mais gente pobre, claro (a matemática da distribuição de riqueza não dá abébias), mas eu sou dos que não dão para esse peditório. Em "season" morta do futebol, não compro jornais desportivos (e no resto da época bem poucos).
Numa e noutra situação, o melhor é esperar que a poeira assente. "Que sera, sera". E que o Belenenses ganhe.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Força Belenenses!
Quem disse isto em 1921 foi o distintíssimo Mário Duarte, primeiro guarda-redes do Belenenses, que de perdedor não tinha nada (para que entendam bem aquelas palavras) pois foi ele que levantou o primeiro troféu da história do Clube.
Fui ver o meu Belenenses ao Jamor numa final alfacinha. Perdemos mas lutámos e saímos com toda a dignidade. Derrotas destas só vão tornar ainda mais saborosas as próximas vitórias!
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Igrejas de Lisboa (I): S. José dos Carpinteiros
Irei começar pelo que se pode considerar a fronteira Norte da Baixa, uma zona que em tempos remotos se situava à saída das portas da cidade. Começo pela Igreja de S. José dos Carpinteiros, sita na Rua de S. José (próximo do Largo da Anunciada).
A origem desta igreja deve-se à fundação, em 1532, da Confraria de S. José, formada por carpinteiros e pedreiros. Uma das razões plausíveis para a sua fundação poderá ter sido a ocorrência do violento terramoto de 1531 (tantas vezes ofuscado pelo de 1755 mas que foi tão ou mais devastador), a que se seguiu um grande esforço de reconstrução. É natural que nos tempos seguintes tivesse aumentado significativamente o número de mestres naqueles ofícios, ao ponto de terem a sua própria confraria.
O nome de S. José é óbvio, uma vez que o Santo carpinteiro era (e é) o respectivo padroeiro.
Numa fase inicial, porém, a Confraria instalou-se na Igreja de Santa Justa e Santa Rufina. Só em 1546 é que a Confraria construíu uma ermida para seu uso exclusivo, e custeada exclusivamente pelos seus confrades. Ficava fora das portas da cidade (no caso vertente, à saída das Portas de Santo Antão), na zona então chamada de "Entre-Hortas", pois como já escrevi noutra altura, no lugar da actual Avenida da Liberdade existiam apenas pequenas hortas, canaviais ou descampados.
Chamava-se naquela altura Ermida de S. José dos Carpinteiros ou de S. José de Entre as Hortas e seria no lugar deste templo primitivo que mais tarde seria construída a actual Igreja de S. José dos Carpinteiros.
Em 1567 o Cardeal D. Henrique (que viria a ser regente e Rei - o último da dinastia de Avis, se não considerarmos D. António, Prior do Crato) decidiu dividir a imensa freguesia de Santa Justa (onde se encontrava a Ermida) criando a Freguesia de S. José, cuja sede paroquial (e de freguesia) passaria a ser, precisamente, a ermida dos confrades carpinteiros (que assim forneceu o nome de baptismo da nova freguesia).
Passado pouco tempo os confrades decidiram ampliar a "ermida" (que se mantinha como sede paroquial), novamente a despesas próprias, tornando-a finalmente numa igreja.
Foi nessa ocasião que a Igreja de São José passou a ocupar o espaço que actualmente ocupa.
Com o terramoto de 1755 a Igreja de S. José sofreu alguns danos, mas não os suficentes para impedir a sua reparação. Sob a orientação e trabalho do mestre-pedreiro Caetano Tomás a Igreja de S. José assumiu o aspecto barroco-pombalino que tem hoje.
Também após 1755 foi pedido à Confraria dos Carpinteiros e Pedreiros que acolhesse na sua Igreja as reuniões da "Casa dos 24". A Casa dos 24 era o conselho corporativo instituído por D. João I (em 1383) que reunia 2 representantes dos 12 ofícios mais importantes de Lisboa. Teve um papel importantíssimo na mobilização da população da cidade para resistir às pretensões dos castelhanos e apoiar a causa do Mestre D'Avis. A Confraria dos Carpinteiros e Pedreiros (ou de S. José) estava naturalmente representada na Casa dos 24 (era a 7ª bandeira da Casa).
Durante o período Filipino, a actividade da Casa dos 24 chegou a ser suspensa, e por altura da Restauração já quase só a Confraria de S. José se mantinha organizada.
Após a Restauração também a Casa dos 24 foi "restaurada" como era antes.
Isto até 1834, altura em que a Casa dos 24 foi finalmente extinta, pois a Constituição Liberal de 1822 proibia as corporações de artes e ofícios.
Depois de extinta a Casa dos 24 (em 1834) foi criada a Irmandade de Ofícios da Antiga Casa dos 24 de Lisboa, que até hoje continua sediada na Igreja de S. José dos Carpinteiros (tal como a Confraria de S. José dos Carpinteiros). A Irmandade é uma "associação pública de fiéis católicos, com personalidade canónica e civil", assumindo portanto um papel eminentemente religioso (enquanto as antigas confrarias faziam ao mesmo tempo as vezes de ordens profissionais, sindicatos ou até facções de partidos)...
Ao que soube, o Juiz Presidente da Irmandade é o Arq.º Gonçalo Ribeiro Teles, figura sobejamente conhecida dos lisboetas.
Quanto à antiga bandeira da Confraria dos Carpinteiros e Pedreiros, o actual Sindicato dos Agentes Técnicos de Arquitectura e Engenharia recuperou o seu emblema, como podem ver aqui:
Depois de tudo isto, falando de corporações de carpinteiros e pedreiros, mais o compasso e afins, ainda se poderá pensar que há aqui algo da Maçonaria. Há algo de comum, obviamente (a origem, pois no Norte da Europa Medieval eram importantíssimas as corporações de ofícios, entre as quais a dos pedreiros), mas a Confraria e Irmandade são e sempre foram claramente instituições exclusivamente do "mundo" Católico. Além do facto de a Confraria de S. José ser bem anterior à chegada dos "pedreiros-livres" a Portugal, teve certo apoio do Cardeal D. Henrique (como já referi), numa altura em que era, nem mais nem menos, o Inquisidor-Mor do reino. Não me parece que fosse dado a grandes "desvios".
Para finalizar, deve-se referir que a Igreja de S. José dos Carpinteiros foi classificada como Imóvel de Interesse Público.
Para saber mais sobre esta Igreja e ver fotografias recomendo:
Pesquisa no Inventário da DGEMN - basta inserir "carpinteiros" no campo "Designação".
Entrada no Inventário do IPPAR - página sobre o conjunto da Igreja
Página da Junta de Freguesia de S. José - conta-nos a história da freguesia e paróquia, mas também tem um apartado dedicado à Igreja de S. José dos Carpinteiros
Quanto ao estado de conservação da Igreja, parece-me bastante satisfatório (a avaliar pelas fotografias), talvez a precisar de umas pinturas.
O interior, com azulejos, pinturas e ainda um presépio, é rico e vale uma visita sem pressas. Para quem passar pelo exterior (e muitos de nós passarão frequentemente), mesmo com pressa, vale a pena deter-se e reparar no portal. É daquelas coisas com que nos deliciamos ao passear pelo estrangeiro, mas cá também temos!
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Câmara Municipal em piruetas
O que se passa agora com a Câmara Municipal de Lisboa é sem dúvida insólito e também, sem dúvida, nada bom para a cidade. Mesmo que o funcionamento básico da CML e dos seus serviços não sejam afectados (espero que não).
O que sabemos é que neste momento todos os Vereadores estão ocupados com uma mesma questão política, e pouco mais.
