sexta-feira, 27 de abril de 2007

Morreu Rostropovich

Morreu hoje Mstislav Leopoldovich Rostropovich, o famoso e virtuosíssimo violoncelista russo que, certo dia, já não sei bem quando, vi e ouvi tocar em Lisboa - entre outras obras, o monumental Concerto para Violoncelo em B menor de Dvorak (que já antes disso constava na minha colecção de CDs, em gravação da Erato, um excelente disco recomendável a todos os melómanos).

O Mundo também o ficou a conhecer melhor quando resolveu interpretar obras de Bach junto ao Muro de Berlim ao mesmo tempo que os berlinenses, naquela jornada histórica, destruíam a barreira que durante anos separou o Leste do Ocidente. O Leste que viu nascer Rostropovich e o Ocidente que o acolheu devido às suas convicções.

Nasceu em Baku (no Azerbeijão) e foi aluno de grandes mestres, entre os quais os geniais Chostakovich e Prokofiev. Morreu em Moscovo.
Até o gélido e ex-KGB Putin lamentou a perda.
Nós também...

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Vai abrir o túnel...

Amanhã será finalmente inaugurado o famoso Túnel do Marquês, após isto (retirado do Diário Económico):

- Custo: cerca de 19 Milhões de Euros (ainda não definitivos)
- As obras tiveram início a 18 de Agosto de 2003 e duraram 43 meses
- Revestimento Cerâmico: aproximadamente 1.4 milhões de azulejos
- Iluminação: 1.200 lâmpadas
- Número de Trabalhadores: 100/dia em média, num total de 19.628 horas.
- Comprimento Total: 1.725 metros.
- 3 Entradas e 6 saídas.
- Estacas: 2 mil.
- Tráfego esperado: 50 mil veículos/dia

Em jeito de redacção escolar, diria que a inauguração do Túnel do Marquês é muito boa notícia, muito importante, porque vai ajudar a resolver um dos mais graves problemas de Lisboa: o das obras do Túnel do Marquês.

Estive à procura de um diagrama ou planta para saber onde é que se pode entrar e sair do túnel, mas não o encontrei. Espero que não me faça falta.

Ligeira reformulação

Por ser evidente a minha dificuldade em preencher este espaço com conteúdos unicamente dedicados a Lisboa decidi alargar um pouco o âmbito deste espaço.
À mesma resisto à tentação de transformar este blog... num blog. Isto é, um espaço mais intimista, de desabafos, enfim, um verdadeiro "diário em rede" (afinal a tradução de "web-log", há muito mastigada para "blog").
Mas andará lá perto.

Mesmo sem que haja relação directa com Lisboa, pretendo colocar aqui mais prosas sobre música, cinema e livros. É isso.
Só para não estranharem, que o dono do estabelecimento continua a ser o mesmo!

segunda-feira, 26 de março de 2007

E os "maiores" dos portugueses são...

Já que iniciei uma rubrica inspirada no "concurso" promovido pela RTP sobre os "Grandes Portugueses" e uma vez que esse tal "concurso" terminou, achei que valia a pena uma breve nota.

Continua sendo minha intenção manter a política afastada deste blogue o mais possível. Não é que despreze ou menospreze a dita ciência (ou, pelo menos, parte dela), mas ela simplesmente estraga - e é esse mesmo o termo - o "ambiente" que aqui quero. De contemplação, reflexão, ponderação, rigor e certa erudição (a que é possível, dentro das minhas fracas possibilidades). Não de luta pelo poder (ou vinganças pela dita), que por mais voltas que se dê, é no que descamba.

Bom, mas uma coisa que prezo muito é o rigor. E, quando possível, o rigor minimamente científico. Para o caso vertente, um rigor que se traduza na menor perturbação possível do que é a realidade, com um mínimo de interferências dúbias ou manipulações.
Fiel a esses preceitos, publico em seguida aquela que considero ser a lista mais fiável relativamente aos 10 grandes portugueses seleccionados para serem os "maiores". Já que a eleição por números de telefone é obviamente falível, para mim é esta a "classificação" que conta, embora não abranja todo o universo admissível e embora estivesse sujeita a uma pré-selecção um pouco mais "limpa", mas ainda assim falível. Ela é o resultado do estudo de opinião efectuado pela RTP.

E assim, aquele que os portugueses escolheram como seu maior dos maiores é:
D. Afonso Henriques (21,0%)

No restantes lugares de honra (3º e 4º):
Luís Vaz de Camões 15,2%
Infante D. Henrique 11,2%


Seguindo-se:
D. João II 10,5%
Fernando Pessoa 8,8%
Marquês de Pombal 7,6%
António Oliveira Salazar 6,6%
Álvaro Cunhal 6,3%
Aristides Sousa Mendes 5,9%
Vasco da Gama 2,4%

Como referi acima, esta lista de 10 resultou de uma outra selecção, sobre a qual também tenho sérias reservas (dois que ali estão por mim não estavam - por sinal foram os dois primeiros na pseudo-votação por nºs de telefone). Porque não ficaria bem comigo mesmo, publicarei em seguida alguns dos nomes que não chegaram aos 10 mas que merecem a minha maior admiração, por diversos motivos. Vejam isto como um orgulho de ser compatriota deles, nem mais nem menos. Dos outros, não tenho, pelo menos em especial.
A ordem é a da votação referida, não a minha. Para mim, são todos grandes:
SALGUEIRO MAIA
SANTO ANTÓNIO
AMÁLIA RODRIGUES
NUNO ÁLVARES PEREIRA
JOÃO FERREIRA ANNES DE ALMEIDA
AGOSTINHO DA SILVA
EÇA DE QUEIRÓS
EGAS MONIZ
D. DINIS
HUMBERTO DELGADO
PEDRO NUNES
PADRE ANTÓNIO VIEIRA
D. JOÃO I
SOPHIA DE MELLO BREYNER
PADRE AMÉRICO
ANTÓNIO DAMÁSIO
AFONSO DE ALBUQUERQUE
D. MANUEL I
JOSÉ SARAMAGO
CARLOS PAREDES
PEDRO ÁLVARES CABRAL
PADEIRA DE ALJUBARROTA
ALMADA NEGREIROS
ÁLVARO SIZA VIEIRA
SOUSA MARTINS
PADRE ANTÓNIO ANDRADE
D. LEONOR
ROSA MOTA
ANTÓNIO TEIXEIRA REBELO
D. AFONSO III
VÍTOR BAÍA
BARTOLOMEU DIAS
D. MARIA II
CARLOS LOPES
AFONSO COSTA
FONTES PEREIRA DE MELO
GAGO COUTINHO
MANUEL SOBRINHO SIMÕES
ANTÓNIO LOBO ANTUNES
GIL VICENTE
MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA
MIGUEL TORGA
NATÁLIA CORREIA
EDGAR CARDOSO
FERNÃO MENDES PINTO
ALFREDO DA SILVA
PEDRO HISPANO
DAMIÃO DE GÓIS
D JOÃO IV
ADELAIDE CABETE
ALMEIDA GARRETT
ANTÓNIO GENTIL MARTINS
MARIA JOÃO PIRES

E falta ainda muito boa gente...
Observando outros nomes que constavam na lista dos 100, já se via que a cultura e a educação sobre a história do País andam mesmo por baixo. Pinto da Costa à frente de Damião de Góis? Alberto João Jardim à frente de Almeida Garrett? Vitor Baía à frente de Bartolomeu Dias? O "gato fedorento" à frente de Bocage?
Até qualquer um dos beneficiados se sentiria incómodo com tamanha e tão bruta ignorância...

Francamente, algo está a falhar em Portugal, e podem começar logo pelo serviço público, no caso em apreço o da RTP, embora este programa tenha ajudado a divulgar muito da nossa história e eu tenha lido e ouvido depoimentos interessantíssimos, como neste último programa. Alguns deles, ficaria muito mais tempo a ouvi-los, com grande deleite (e num ou noutro caso, para minha surpresa).
Quanto ao resto, uma brincadeira, claro.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Os "grandes portugueses" e Lisboa (1ª parte)

Não vou discutir os fundamentos e a legitimidade que assiste à eleição promovida pela RTP, sobre os "Grandes Portugueses". Da mesma forma evitarei tomar qualquer partido. O objectivo do presente é tão só evidenciar a ligação de cada um dos 10 "Grandes Portugueses" eleitos para a fase final com a cidade de Lisboa, que por ser capital de Portugal, está naturalmente presente na biografia de todos.

Comecemos por saber quem daqueles dez era "alfacinha": dois poetas e dois reis.

Desses quatro, aquele que poderá ser considerado o mais "alfacinha" de todos é Fernando Pessoa, não só porque nasceu e morreu nesta cidade - obviamente - mas por toda a sua vivência e obra, ao ponto de existir uma "Lisboa Pessoana" (que é sem dúvida uma das mais fascinantes, senão a mais fascinante de todas as Lisboas alguma vez concebidas).
Nasceu num prédio no Largo de São Carlos, foi baptizado na Igreja dos Mártires, no Chiado e faleceu no Hospital de São Luís dos Franceses.
Como se não bastasse, ficou a sua figura para sempre "presa" a Lisboa no corpo da famosa estátua que existe no Chiado, n'A Brasileira, que é especialmente popular para fotografias de pose de quase toda a turistada que passa, muita dela porventura sem fazer a mínima idéia de quem se trata. Seria engraçado conhecer a opinião de Pessoa sobre o assunto!
Em Lisboa existe também a casa-museu Fernando Pessoa (Rua Coelho da Rocha), promotora de frequentes actividades culturais e dotada de espólio diverso, onde se incluem pinturas de autores com Almada Negreiros. De referir que, exceptuando a traça exterior e o último quarto onde viveu o poeta, todo o restante do edifício é de arquitectura moderna.

O outro poeta é Luís Vaz de Camões, embora neste caso não haja certeza quanto ao facto de ter nascido em Lisboa, embora seja a naturalidade normalmente sugerida. Certeza há que morreu em Lisboa.
Viveu em pleno a época das Descobertas, tendo viajado por meio mundo em variadas peripécias. Essa vastidão de horizontes justificou a grandeza da sua obra em todos os aspectos, a par do excelente conhecimento das obras de autores clássicos.
Em contrapartida, as estadias de Camões em Lisboa foram sempre atribuladas, entre os píncaros e a miséria, granjeando pelo meio fama de inveterado boémio.
Camões entrou para a toponímia lisboeta já nos finais do século XIX, quando foi inaugurada a sua estátua (magnífica, por sinal) no largo que tem hoje o seu nome, no coração fervilhante daquela parte da cidade (reconhecível até no cinema, como no clássico "O Pai Tirano"). O largo passou mesmo a ser conhecido apenas como "o Camões".
Mais recentemente chegou a estar "o Camões" (isto é, a estátua) fora do lugar, para que se procedesse à construção de um parque de estacionamento subterrâneo (com tanto lugar...). Com as obras descobriram-se vestígios do que já se sabia ter ali existido, como as ruínas do Palácio do Marquês de Marialva, que foi destruído e parcialmente soterrado devido ao terramoto de 1755, e até vestígios de ocupação romana.
É também em Lisboa que está sediado o Instituto Camões, dedicado ao ensino e divulgação da língua portuguesa no Mundo. Lembra o Instituto Cervantes espanhol, mas com uma diferença importante: é que Camões esteve mesmo na maior parte dos sítios onde a língua portuguesa chegou há 500 anos atrás (que ele também a levou!).

(continua)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Era em... Alcântara


É a resposta à questão colocada no anterior post: a fotografia apresentada, com data aproximada do ano 1912, é do vale de Alcântara e da antiga ribeira hoje "encanada". Ao fundo vê-se a "Ponte Nova", que por certo seria bem mais recente que a antiga (embora nenhuma delas exista hoje em dia) que deu nome ao lugar. Porque Alcântara vem do árabe Al Qantarah, que siginica, precisamente, a ponte. Pelo menos já desde o tempo dos árabes que ali deveria existir uma.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Era assim... onde?

Por entre casario velho e rústico serpenteia uma ribeira onde as lavadeiras lavam a roupa. Era assim, era em Lisboa? Onde?

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Lisboa é (em castelhano e catalão)

Coisas que se encontram na internet:

Lisboa es la ciudad abierta al mar, que siempre marcó su destino
Lisboa es una capital privilegiada, a orillas de uno de los más bonitos estuarios de Europa
Lisboa es el nada nunca jamás. Lisboa es para llorar, puro destino y llanto, fado y luz de lágrima. Pero al mismo tiempo es una inmersión radical en la alegría
Mi impresión general de Lisboa es la de "tiempo detenido" es como si la ciudad se hubiera congelado en los años 50, con sus edificios de colores, bien cuidados y muy coquetos, y se hubiera despertado 50 años después con hambre de modernidad y grandes edificios modernos salpicandolo todo, pero con gusto estético y harmonía. Se puede ver un edificio en perfecto estado de unos 100 años junto con un edificio abandonado y un gran edificio moderno colindante, es una ciudad de contrastes pero con encanto.
Lisboa es una romantica ciudad llena de nostalgia por un glorioso pasado. En mi limitado entendimiento de una tan sobrecogedora tradición, siento que Lisboa es el Fado hecho arquitectura, y el Fado como Lisboa hecha canción
Lisboa es cosa "boa"
Lisboa es una ciudad que no se olvida… es un destino que no debe faltar para aquellos espíritus que todavía buscan encontrar en el viaje un tiempo hecho para el disfrute de la calma, la poesía y la belleza
Lisboa es la promesa nunca cumplida de un pasado mejor, pero del que uno nunca sabe a qué atenerse
Lisboa es bellísima, altiva y ruinosa también, como mi Habana
Lisboa es el fin. Aquí llegan todos los caminos (las autopistas, los trenes, y nuestra pequeña ruta de la fantasía) y todos terminan hechos agua, fundiéndose con el mar. No hay nada más allá. Antes, cuando la Tierra era plana, aquí se acababa el mundo, y aun hoy las cosas no han cambiado tanto.
Lisboa late a fuego lento, suave, dulce
Lisboa es bella, pero no con la belleza clara y objetiva de otras ciudades, Lisboa es bella en su tristeza, en su mantenerse en píe a pesar de haberse caído. Lisboa sucumbe a los terremotos y sigue siendo bella si se sabe vislumbrar su maravilla
Lisboa és una ciutat per ser mirada des de totes les perspectives
Lisboa es el secreto mejor guardado de Europa
Lisboa es una tierra que provoca añoranzas para el resto de la vida, fina, acogedora, educada, rebozante de cultura, inteligencia y arte en cada calle, en cada callejón; en las plazoletas, plazas, las laderas, los terraplenes, las callejuelas o avenidas, en el morro del Castillo o a las orillas de Tejo
Lisboa es una de las pocas capitales europeas que todavía conserva el encanto de otros tiempos
Lisboa es una de esas ciudades que cambia de atmósfera y de color a merced de la luz del día

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

E Feliz Ano Novo!

Mais uma volta que este nosso planeta completou à volta do Sol... é isso o que é mais um ano!
Muitas e boas dessas voltas para todos!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Feliz Natal

É da mais elementar etiqueta bloguística lusa, mas é com todo o gosto que desejo um Feliz Natal a todos os leitores, estejam onde estiverem, com paz e saúde.
E para os que não vão, como eu, gozar a festa em Lisboa (como costumo dizer, passo o Natal na "terra", mas a minha terra é Lisboa...), boas viagens.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Para que não se percam no caminho de casa...

... eis os variados nomes de Lisboa, em diferentes línguas. Agruparam-se segundo a grafia "convertida" (independentemente do alfabeto de escrita), embora foneticamente possam ser diferentes entre si. É possível que as palavras em certos alfabetos não sejam visualizadas correctamente (depende do sistema e fontes instaladas para cada leitor). Também é possível terem passado alguns erros em léxico e grafias alheias - agradecemos a vossa compreensão e, já agora, ajuda para corrigi-los.
Aqui estão eles:

Lisboa: Espanhol, Aragonês, Asturiano, Catalão, Basco, Galego, Veneziano, Ido, Norueguês, Quéchua, Tahitiano, Indonésio, Tagalogue (alternativa) e Vietnamita (alternativa)

Lisbona: Italiano, Corso, Sardo, Siciliano, Piemontês, Romance, Maltês, Albanês, Interlíngua e Arménio*
* - escrito Լիսբոնա

Lisbon: Inglês, Bretão, Galês, Gaélico da Escócia, Cornualhês, Malaio, Ilocano, Capampanganês, Crioulo da Papua, Curdo (alternativa)*, Tagalogue (alternativa), Vietnamita (alternativa), Hebraico**, Bengali***, Punjabi**** e Tailandês*****
* - escrito لیسبۆن
** - escrito ליסבון
*** - escrito লিস্বন
**** - escrito ਲੀਸਬੋਨ
***** - escrito ลิสบอน

Lissabon/Lißabon: Alemão, Baixo Alemão, Luxemburguês, Holandês, Frísio, Limburguês, Africanse, Sueco, Dinamarquês, Islandês, Finlandês, Estónio, Russo*, Azeri*, Tártaro*, Turcomeno*, Uzbeque* e Tajique**
* - escrito Лиссабон
** - escrito Лиссабон ou لیسبان

Lisbonne: Francês, Normando e Crioulo Haitiano

Lisabon: Bielorusso*, Ucraniano *, Búlgaro**, Checo, Bósnio, Croata, Sérvio**, Eslovaco, Alemânico, Curdo (alternativa)*** e Uigure****
* - escrito Лісабон
** - escrito Лисабон
*** - escrito لیسابۆن
**** - escrito لىسابون

Lisabona: Romeno, Moldavo*, Grego**, Letão, Lituano e Occitano
* - escrito alternativamente como Лисабона
** - escrito Λισσαβώνα

Lisbonum*, Olisipo ou Ulisipo*: Latim
* - escrito Lisbonvm ou Vlisipo

Lisbono: Esperanto

Lisszabon: Húngaro

Lizbona: Polaco e Esloveno

Lizboa: Tétum

Lizbon: Turco, Cassubiano, Dimli* e Pashtum**
* - escrito لیزبۆن
** - escrito لزبون

Liospóin (ou Liosbóin): Gaélico Irlandês

Lisibén: Chinês (Mandarim)*
* - escrito 里斯本

Risubon: Japonês*
* - escrito リスボン

Liseubon: Coreano*
* - escrito 리스본

Lišbūnâ/Lishbūnah ou al-Ušbūnâ/al-Aschbouna (nomes antigos): Árabe* e Aramaico (no caso de Lišbūnā)**
* - escrito لشبونة ou الأشبونة
** - escrito ܠܫܒܘܢܐ

Lešbūne (ou Līsbon): Persa*
* - escrito لشبونه ou لیسبون

Lisban: Hindi* e Urdu**
* - escrito लिस्बन
** - escrito لسبن

Lisbun: Yiddich*
* - escrito ליסבון

Lisaboni: Georgiano*
* - escrito ლისაბონი

Lispan: Tamil
* - escrito லிஸ்பன்

Lisipón ou Lisibong: Tibetano
* - escrito ལི་སི་པོང་

Os resultados talvez não sejam tão extravagantes como são, por exemplo, os que obtemos relativamente ao nome Portugal. Mas é curioso notar que as duas designações mais "desviadas" são as de dois antigos senhores da cidade (romanos e árabes)! Não esperaram pelo aparecimento dos portugueses...

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Ainda mais cinema... ibérico

Já que falamos de cinema (ver abaixo), continuemos, porque há mais para divulgar. Desta vez um outro festival que já vai a meio, o Hola Lisboa (decorre de 7 a 17 de Dezembro), festival de cinema ibérico promovido pela Associação Lumiére Noir e pela EGEAC (CML). Está instalado no mítico Cinema São Jorge, à Avenida da Liberdade. Para mais detalhes, façam o favor de visitar o respectivo site.

A talhe de foice, e porque tratamos agora de cinema ibérico, cumpre também informar que hoje mesmo será apresentado em Lisboa (Palácio da Mitra) o novo filme do aclamado realizador espanhol Carlos Saura, intitulado "Fados". Depois de ter realizado "Sevillanas", "Flamenco" e "Tango no me dejes nunca", Saura decidiu completar o ciclo com uma obra-documentário sobre a canção de Lisboa (pois neste caso remete-se apenas à variante "alfacinha").

O filme, que já terá sido rodado na totalidade, contou com a consultoria de Carlos do Carmo (meu caro consócio de outras lides), Rui Vieira Nery e Ivan Dias, sendo que o elenco de fadistas (cantores e guitarristas) inclui ilustres "veteranos" como Argentina Santos, José Fontes Rocha e Raul Nery (pai de Rui Nery), acompanhados dos mais novos Camané, Mariza e Ricardo Rocha (neto de José Fontes Rocha).

Contribuiram ainda outros nomes do "mundo" lusófono, em clara associação do Fado às sonoridades do Brasil e da África lusófona, seja por eventuais raízes comuns, seja por mera similitude natural ou até, como é o caso, porque os próprios artistas em causa têm uma relação muito especial com o Fado: Cesária Évora, Lura, Chico Buarque, Caetano Veloso e ainda a mexicana Lila Downs, esta interpretando um tema de Lucília do Carmo (mãe de Carlos do Carmo) à maneira "ranchera".

Consta que a obra tem forte cunho pessoal de Saura, que se afirma conhecedor de longa data do Fado, tendo reforçado a inspiração com visitas a várias casas lisboetas. Não obstante, e não obstante também a intensa polémica que rodeou a concessão de financiamento por parte da Câmara Municipal de Lisboa (mas aqui a política fica à porta), é uma obra que aguardamos com grande interesse.

E já agora, por entre pesquisas deparei-me com este Portal do Fado que à primeira vista me parece merecedor de mais visitas. Pelo sim, pelo não, passará a constar na barra aqui ao lado.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Ainda bom cinema... em dose de 50

No seguimento do post anterior aproveito para divulgar outro programa, este da Fundação Calouste Gulbenkian - embora também em colaboração com Cinemateca (pela mão de João Bénard da Costa, pontifex da 7ª arte no nosso país).

Aqui fica a introdução ao ciclo COMO O CINEMA ERA BELO - 50 filmes inesquecíveis, tal como apresentada no respectivo site:

Integrado nas Comemorações do Cinquentenário da Fundação e em colaboração com a Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, este Ciclo de Cinema apresenta 50 filmes, numa escolha de João Bénard da Costa. Uma mostra que assinala também a contribuição da Fundação, entre 1973 e 1990, para a divulgação do cinema através da organização de Ciclos, com obras clássicas, que marcaram uma época na formação dos gostos e na cultura cinematográfica em Portugal.

Como é óbvio, esta minha recordatória chega já com atraso, uma vez que já tiveram lugar 21 das 50 sessões. No entanto, ainda há muito de bom para ver, como poderão contatar na programação (onde, para registo, estão também os nomes dos filmes já projectados).
Apesar do que sugere o título ("...era belo"), o "saudosismo" em causa é o da "velha" cinefilia (a dos "telhudos pela tela"), porque quanto às películas seleccionadas, temos das mais antigas até às mais recentes (sendo a mais recente o belíssimo "Novo Mundo" de Terrence Malick).

Faltarão por certo outros grandes filmes, tal como o próprio Bénard da Costa confessou - a sua selecção inicial incluía 214 obras!...
A limitação a 50 poderá significar que temos ali a "crème de la crème" dos filmes? Em parte, porque não se quis deixar de representar alguns excelentes realizadores, em detrimento da abundante proficuidade de outros.
De qualquer forma, o resultado final é de primeira.

Para finalizar, e porque estamos em tempo de compras natalícias, recomendo o livro-guia publicado a propósito (cuja capa ilustra este post), que poderão encontrar aqui (na Fundação - com possibilidade de venda online) ou aqui (na livraria da Cinemateca). Saíu da pena de Bénard da Costa, obviamente.
Custa 27.78 Euros, mas - aproveitem a dica - encontrei-o na livraria da Fundação por apenas 25.

Pena é que algumas das obras (alguns dos meus filmes favoritos) ainda não tenham tido publicação em DVD (ou pelo menos, uma publicação decente). Não é que não prefira a "tela", nem é que tenha Home Cinema por aí além, mas à falta de tempo e oportunidade... venham eles!

PS: tudo isto, em Lisboa, claro!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Uma das vantagens de ser cinéfilo em Lisboa...

...é viver na cidade da Cinemateca. 2ª feira inicia um ciclo de cinema coreano. 3ª feira, tem tesouros dos primórdios do cinema português (Séx.XIX). São apenas exemplos.
Há cinema todos os dias excepto ao Domingo.
Cinema, e do bom.

Aconselho um saltinho ao respectivo site.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Restauração da Independência

A Bandeira da Restauração, com a nossa Cruz de Cristo

No próximo dia 1 de Dezembro celebra-se o 366º aniversário da Restauração da Independência de Portugal, efeméride a que já demos destaque no ano anterior (ver aqui, uma breve resenha dos acontecimentos históricos e aqui, uma breve referência ao Monumento da Restauração, na Praça dos Restauradores).
Diz muito ao autor e diz muito a Lisboa, que foi onde se desenrolaram os acontecimentos em questão e onde se encontra sedeada a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, a cujo site oficial e cerimónias recomendamos a acorrência (para saber mais sobre as origens da Sociedade, ver o primeiro artigo referido acima).

De qualquer forma, antecipamos aqui o programa das comemorações de 2006:

12h00 – MISSA SOLENE DE ACÇÃO DE GRAÇAS, na Igreja Paroquial de Santa Justa, no Largo de São Domingos;
16h00 – HOMENAGEM AOS HERÓIS DA RESTAURAÇÃO, na Praça dos Restauradores;
17h15 – ASSINATURA DO LIVRO DE HONRA DA S.H.I.P., no Palácio da Independência.

Das 14h30 às 18h30, no Palácio da Independência, decorrem visitas às Exposições “Hinos, marchas, cantos patrióticos e obras dedicadas” – colecção do Maestro Dr. Manuel Ivo Cruz e “Reais Hospitais Militares de S.João de Deus na Fronteira Luso-Espanhola (Séculos XVII e XVIII)”, promovida pela Comissão Portuguesa de História Militar e Ordem Hospitaleira de São João de Deus.


Foram 60 anos sob domínio estrangeiro, em que Lisboa perdeu estatuto e importância (embora nem tudo fosse mau, em determinados aspectos). 60 anos em quase 900 anos de história do País e em 751 anos de Lisboa como capital. Visto assim, é pouco, mas a importância é grande. Neste "canto" resistiram Lusitanos e Suevos a quem de Leste os ameaçou... e venceu. Da mesma forma têm resistido os portugueses durante quase 900 anos, reafirmando a sua identidade e a sua independência. Cuidemos dela, cuidando dos portugueses - afinal foi por isso mesmo que Afonso Henriques lutou.

VIVA PORTUGAL!

Bandeiras da Portugal (incluindo as de maior simbolismo para a independência): reinado de D. Afonso Henriques - o Fundador; reinado de D. João I, Mestre de Avis - o de Boa Memória; reinado de D. João IV, Duque de Bragança - o Restaurador; República Portuguesa

Créditos: imagens retiradas da excelente página História da Bandeira de Portugal mantida por António Martins

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Lisboa de Sophia

Digo:
"Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas -
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insônia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver


Sophia de Mello Breyner Andresen
(Porto, 6 de Novembro de 1919 - Lisboa, 2 de Julho de 2004)

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Apontamentos sobre a História de Lisboa (III): A Fundação

Já aqui desmistificámos a famosa "lenda de Ulisses". Quanto à hipotética fundação de Lisboa pelos Fenícios, apresentámos argumentos a favor e contra, não sendo possível chegar a uma conclusão segura. Até prova em contrário, pouco ou nada nos diz que Lisboa alguma vez tivesse sido um estabelecimento fenício (ou uma cidade dominada por estes).

Mas, quando chegaram os Romanos, Lisboa já existia... e pareceu-lhes uma cidade antiga. Se bem que a "lenda de Ulisses" possa ser fantasiosa (pelo menos no que à fundação de Lisboa diz respeito), ela demonstra isso mesmo. Não faz muito sentido que os Romanos invocassem um acontecimento tão antigo como a Guerra de Tróia para explicar a fundação de um local "bárbaro" e remoto.
Assim sendo, o que os Romanos encontraram foi uma cidade propriamente dita, de acordo com os padrões "mediterrânicos". Não apenas uma sede de poder local ou um reduto fortificado para protecção de populações agro-piscatórias, mas também e sobretudo um centro de comércio, com relações e influências que se encontravam bem para além da sua região natural.

Ainda que Lisboa não fosse Fenícia, terá tido sem dúvida um papel importante nas antigas rotas trans-ibéricas, em que os Fenícios (através de Gadir - Cádiz) seriam a contraparte final.

Seria Lisboa uma cidade turdúla? É uma possibilidade. Os túrdulos (a par dos turdetanos) eram um conjunto de povos que se crê terem sido os sucessores dos tartéssicos. Tartessos, uma antiga e sofisticada civilização de origem ibérica que desde cedo manteve importantes relações com o Oriente Mediterrânico. De tal forma que foram os Fenícios - precisamente - os que acabaram por destruir o famoso reino, quando a sua região (a futura Andaluzia) era já cobiçada pelos gregos.
Supor que Lisboa já existia ao tempo do Reino de Tartessos (e intimamente ligada a este) parece-nos demasiado abusivo. Aliás, os vestígios do Reino de Tartessos são, ainda hoje, tão frágeis e confusos (embora cada vez menos), que torna-se extremamente difícil construir qualquer hipótese relacionada com o mesmo.

No entanto, as próprias fontes romanas referem que em determinada época terá ocorrido uma migração conjunta de túrdulos e celtas para Norte, tendo os túrdulos ocupado boa parte do litoral Norte do Tejo e os Celtas seguido para o Noroeste Peninsular (Galiza). É uma hipótese...

E por aqui fechamos - por agora - o assunto da fundação da cidade, sem que se consiga chegar a uma conclusão clara.
Com bastante segurança podemos afirmar que Lisboa é de facto uma cidade muito antiga, uma das mais antigas de entre as capitais da Europa. Também sabemos que o seu crescimento e desenvolvimento iniciais deveram-se à influência de povos do mediterrâneo: indirectamente, pelo contacto com civilizações "mediterranizadas" do Sul da Península (Tartessos?); ou directamente, pelo contacto com mercadores fenícios (e outros povos de origem semita).
Fundamentais também terão sido os contactos com o Norte Peninsular e até com o Norte da Europa, desempenhando Lisboa um papel importante como ponto de paragem e de intermediação, quer pela rota marítima mas também (mais importante, porventura) por rotas terrestres. Afinal de contas, a Península era canal privilegiado para o contacto entre fenícios (e depois cartagineses) e o Ocidente europeu.

Em seguida iremos abordar a "romanização" de Lisboa, processo que colocou definitivamente a cidade no "mapa" das grandes civilizações europeias.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Insólitos da modernidade

Sábado, pelas 9 da noite, faltou a electricidade em muitas zonas de Lisboa. Veio-se a saber que a culpa foi de um navio, num canal fluvial alemão...
Que tempos estes!
Já lá vão outros, em que era preciso chegar um barco do Brasil para saber quem era o Rei de Portugal!

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Avenidas de Lisboa (I): Avenida da Liberdade

Hoje inauguramos uma nova série de textos, para "reanimar" este blogue (está no "estaleiro" mais um texto sobre as origens de Lisboa, mas esse ainda demora).
Vamos percorrer as Avenidas de Lisboa, de forma algo superficial, mas estruturada de maneira a que se conheça parte do património desta cidade e alguns respigos - muito ligeiros - da sua história (e da história do seu urbanismo).
Também não conhecemos em detalhe e com actualidade o estado de preservação de muito do património aqui referido. No entanto, só pelo registo, entendemos que vale a pena.

Começamos pela Avenida da Liberdade, uma das mais antigas (como avenida) e que, em conjunto com a Avenida da República, forma o eixo central da cidade.

A Avenida da Liberdade foi contruída nos finais do Século XIX sobre parte do antigo "Passeio Público".
A sua extensão viria a ser bem maior que a daquele, indo ao encontro de um novo parque, no topo, cuja construção visava compensar a "perda" do parque público (o Parque da Liberdade, que mais tarde daria lugar ao Parque Eduardo VII).
A Sul, foi construída a Praça dos Restauradores, consagrada à "liberdade" de Portugal face a Espanha, reconquistada (restaurada) em 1640. Em conformidade, a nova avenida recebeu precisamente o nome de "Liberdade". E assim se esclarece um equívoco (embora não muito frequente) pelo qual se atribui à Revolução de 1974 a responsabilidade pelo novo nome, supostamente em substituição de um outro. Sempre foi "Avenida da Liberdade" (desde que é avenida), mesmo quando a liberdade, nalguma outra ocasião, se viu ameaçada (em bom rigor, o espírito será o da "Independência").

Recuando de novo no tempo, cumpre recordar que a origem do Passeio Público remonta à época da reconstrução pós-terramoto (1755). Ao tempo do terramoto já existiam na zona algumas construções (sobretudo palácios e palacetes) e primitivos arruamentos, concentrados no que é hoje a parte a Sul. O mais eram hortas e "mata cerrada", até porque terminava ali o perímetro das antigas muralhas da cidade (cerca Fernandina). Desta forma, no Século XVI e em anteriores, a zona era totalmente "campestre".

Por sua vez, a fertilidade dos campos e a própria topografia (em forma de vale suave) encontram explicação na existência de uma antiga ribeira, a de "Valverde" (ou de Sto. Antão), que seguia em boa parte o traçado da actual avenida e se juntava a uma outra ribeira (de Arroios) mais abaixo, desaguando ambas num esteiro do Tejo. Em bom rigor, quer as duas ribeiras quer o esteiro ainda hoje existem... mas no subsolo. As duas ribeiras, encanadas, enquanto o esteiro banha as estacarias de muitos edifícios da Baixa.
No entanto, desde o tempo dos romanos até aos primeiros tempos de Lisboa como capital do Reino de Portugal foram sendo "conquistadas" aquelas terras, de forma progressiva. Enquanto alagadas, eram aproveitadas para o cultivo.

Voltando à evolução da Avenida da Liberdade, foi concebida como artéria de grande circulação, o que entristeceu muitos lisboetas, saudosos do prazenteiro Passeio Público. E, em pouco tempo, o tráfico de barulhentas carruagens começou a dar lugar aos primeiros automóveis - ainda mais barulhentos e ainda mais "endiabrados" para com o sossego dos peões.
Como "refúgio", ainda foram construídas alamedas no meio da avenida, arborizadas, mas que ficavam muito aquém do conceito de "parque". Com o correr dos tempos - e o alargamento das vias rodoviárias - a Avenida tornou-se cada vez menos cativante para o passeio dos alfacinhas.

Como cópia dos "boulevards" parisienses, porém, a Avenida da Liberdade não perdeu interesse. Surgiram edifícios de traça "moderna", alegre e elaborada, contrastando com a sobriedade dos edifícios "pombalinos". Como veremos adiante, a Avenida da Liberdade foi durante algumas décadas uma "montra" privilegiada para os mais arrojados arquitectos, qual "ex-libris" de um novo urbanismo de Lisboa.

Durante o tempo do Estado Novo surgiram novas edificações, deveras interessantes em si (como o edifício do Diário de Notícias, o Hotel Vitória ou o Cinema São Jorge), embora nem sempre em harmonia com o conjunto.
No lugar da antiga Rotunda foi construída a Praça Marquês de Pombal, que reforçou a fluidez de comunicação da Avenida com o resto da cidade. Para ali se deslocou em definitivo o "centro" de Lisboa.
Também nesta época foi "reforçada" significativamente a estatuária da Avenida, como veremos adiante.

Mas se a harmonia arquitectónica poderia ser posta em causa, veio a sê-lo com gravidade nas décadas seguintes... e em boa medida até hoje. De ambos os lados da avenida é difícil encontrar um quarteirão onde não existam aberrações...
Já para não falar nos tempos difíceis por que passaram (e ainda passam) alguns dos mais emblemáticos edifícios, sujeitos ao abandono, à descaracterização quase completa das suas traças ou ainda, a degradação.
Há honrosas excepções, recentes, embora não isentas de polémica.

Em seguida vejamos com maior pormenor o que existe na Avenida da Liberdade.

A Avenida tem cerca de 1.000 metros de comprimento, com início na Praça dos Restauradores, terminando na Praça Marquês de Pombal. Atravessa duas freguesias, a de S. José (a Sul) e a de Coração de Jesus (a Norte). As Ruas do Salitre e de Manuel Jesus Coelho marcam a altura de fronteira.

A Avenida é servida pelo Metropolitano em três pontos: Restauradores (a Sul), Estação da Avenida (a meio) e Estação do Marquês de Pombal/Rotunda (a Norte).

Cruzam ou desembocam na Avenida os seguintes arruamentos (do início para o final):
- Junto aos Restauradores, terminam a Calçada da Glória, a Oeste, e a Rua dos Condes, a Leste;
- O Largo da Anunciada comunica com a Avenida a Leste. A respectiva rua atravessa a Avenida, embora sem comunicação a Oeste;
- Seguem-se a Travessa da Glória e a Rua da Conceição da Glória, a Oeste;
- Acima estão a rua de acesso à Praça da Alegria, a Oeste, e a Rua das Pretas, a Leste. Comunicam entre si cruzando a Avenida;
- Depois, a Oeste, unem-se em nome e no terreno a Travessa e a Rua do Salitre;
- Seguem-se a Travessa da Horta da Cera e a Rua Manuel de Jesus Coelho, que também comunicam entre si cruzando a Avenida;
- Na zona mais moderna (boa parte dos arruamentos referidos acima são bem antigos, como atestam os nomes) surgem, por fim, grandes ruas que atravessam a Avenida de lado a lado. Primeiro a Rua Barata Salgueiro, depois a Rua Alexandre Herculano.

Da estatuária da Avenida da Liberdade consta (do início para o final):
- Busto de Manuel Pinheiro Chagas, escritor, da autoria de Costa Mota e inaugurado em 1908;
- Estátuas e lagos em alegoria aos rios Tejo e Douro, "sobreviventes" da estatuária inicial do Passeio Público, da autoria de Alexandre Gomes;
- Estátua de Simon Bolívar, herói independentista da América Latina, da autoria de Arturo Aguilero e inaugurada em 1978. Foi oferecida por emigrantes portugueses na Venezuela;
- Monumento aos Mortos da Grande Guerra / Combatentes, da autoria de Maximiano Alves e Guilherme Rebello de Andrade, inaugurado em 1931;
- Busto de Rosa Araújo, urbanista (incluindo da própria Avenida), inaugurado em 1936;
- Conjunto das estátuas de António Feliciano de Castilho, Oliveira Martins, Almeida Garrett e Alexandre Herculano, inaugurado em 1952. As duas primeiras foram da autoria de Leopoldo de Almeida e as duas outras, de Barata Feyo.

Na Avenida da Liberdade, são Imóveis de Interesse Público:
- Hotel Vitória (1934/36), de Cassiano Branco, hoje sede do Partido Comunista Português;
- Pensão Tivoli - Hotel Liz (1925), de Manuel Joaquim Norte Júnior, vencedor do Prémio Valmor de 1925, hoje conserva-se apenas a fachada, integrada no Hotel NH Liberdade;
- Tivoli Cine Teatro (1924), de Raul Lino;
- Edifício do Diário de Notícias (1940), de Pardal Monteiro (onde se podem ver frescos de Almada Negreiros);

Em vias de classificação (ao que apurámos) estão os seguintes edifícios:
- Instituto Camões-Casa da Lusofonia/Palacete Seixas;
- Dois edifícios de habitação (entre os quais a Casa Lambertini), com menções honrosas Valmor de 1904;
- Edificios de habitação geminados, Prémio Valmor de 1915;
- Arquivo Histórico do Ministério do Equipamento, Planeamento e Administração do Território;
- Cinema São Jorge, Prémio Municipal de Arquitectura em 1950;
- Palácio Lima Mayer, Prémio Valmor de 1902 (o primeiro);
- Palladium (junto ao Elevador da Glória);
- Cinema Condes.

Mais recentemente, receberam os Prémios Valmor os seguintes edifícios:
- Sede do Lloyd's Bank (1988);
- Edifício Vitoria - Vitoria Seguros (1998).

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Lisboa por Miguel de Cervantes Saavedra

"(...) disse um grumete que na gávea grande ia descobrindo a terra:

-Alvíssaras, senhores, alvíssaras peço e alvíssaras mereço! Terra! Terra! Embora melhor diria céu!, céu!, porque sem dúvida estamos na paragem da famosa Lisboa."

Cujas novas arrancaram dos olhos de todos ternas e alegres lágrimas, (...) porque lhes pareceu que já haviam chegado à terra prometida que tanto desejavam.

(...)

-Agora saberás, (...) do modo que hás-de servir a Deus, com outra relação mais copiosa, embora não diferente, daquela que eu te tenho feito; agora verás os ricos templos em que é adorado; verás juntamente as católicas cerimónias com que se serve, e notarás como a caridade cristã está em seu auge. Aqui, nesta cidade, verás como são verdugos da doença os muitos hospitais que a destroem; e o que neles perde a vida, envolto na eficácia de infinitas indulgências, ganha a do céu. Aqui o amor e a honestidade dão as mãos, e passeiam juntos, a cortesia não deixa que se chegue a arrogância, e a bravura não consente que se lhe aproxime a cobardia. Todos os seus moradores são agradáveis, são corteses, são liberais e são apaixonados, porque são discretos. A cidade é a maior da Europa e a de maiores tratos; nela se descarregam as riquezas do Oriente, e a partir dela se espalham pelo universo; o seu porto é capaz, não só de navios que se podem reduzir a número, senão de selvas ambulantes de árvores que os dos navios formam; a formosura das mulheres admira e enamora; a bizarria dos homens pasma, como dizem eles; finalmente, esta é a terra que dá ao céu santo e copiosísimo tributo."

(do Livro Terceiro da História dos Trabalhos de Pérsiles e Sigismunda, trad. pelo De Lisboa)